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JUAZEIRO DO NORTE - CE
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Capa    15/10/2017  Edição 440

RAZÃO PR'A VIVER

O Memorial Padre Cícero abrirá suas portas para celebrar com eventos solenes e rica exposição o Centenário de Ordenação Sacerdotal do Padre Azarias Sobreira. Será um tríduo festivo de 04 a 06 de outubro próximo. Esse um evento muito significativo para a cidade de Juazeiro e também para a história eclesiástica não só do Ceará, mas para a história eclesiástica da Igreja Católica no Brasil. O padre Azarias Sobreira dedicou toda a sua vida, com total desprendimento, à defesa da história de vida do Padre Cícero, enfrentando com humildade quase sublime, mas sem subserviência, todos os obstáculos nascidos na interpretação e na compreensão do movimento religioso popular de Juazeiro e principalmente todos os adversários e inimigos de Juazeiro e do Padre Cícero quer de membros das elites sociais que acusavam ser a Terra da Mãe de Deus um covil de jagunços, de cangaceiros e de fanáticos quer até mesmo de seus irmãos de sacerdócio que não se pejaram de caluniar o Padre Cícero como autor e explorador de embustes.O Padre Azarias nasceu de um lar profundamente católico. Seu pai, Pedro Lobo de Menezes, além de prósperocomerciante estabelecido na cidade de Barbalha, foi um dos fundadores e o primeiro provedor da Casa de Caridade de Barbalha. Trabalhou ao lado do padre mestre Ibiapina, na construção da Casa de Caridade de Barbalha, tendo contribuído com a quantia de dez contos de reais (uma fortuna naquela época) para viabilização daquele egrégio e marcante empreendimento destinado à formação cristã da juventude feminina e acolher, ainda, crianças abandonadas. Pedro Lobo de Menezes foi um grande colaborador do padre mestre Ibiapina como comprovam a farta correspondência entre ambos, que será mostrada na Exposição. Esses cartas compõem um capítulo especial na história eclesiástica do Ceará. Já idoso e viúvo, Pedro Lobo deMenezes resolveu mudar-se de Barballha para Juazeiro e contrair segunda núpcias, 1893, com a professora Carolina Augusta Sobreira, uma das primeiras jovens de

Juazeiro formada no Colégio Imaculada Conceição de Fortaleza, fundado pelo primeiro bispo do Ceará Dom Luís Antonio dos Santos. Foi um feito memorável a ida da jovem Carolina Sobreira a Fortaleza, naquela época, em companhia de seu irmão João Gonçalves Dias Sobreira, que cursava Teologia no Seminário da Prainha. Saindo do Seminário da Prainha, João Gonçalves Dias Sobreira dedicou-se ao magistério mantendo sólida atividade cultural em Fortaleza, como crítico literário e autor de diversos livros didáticos. Era expressiva sua influência cultural na capital cearense a ponto de que no artigo 44 dos Estatutos da Padaria Espiritual, movimento literário que antecede a Semana da Arte Moderna de 1922, reunindo os principais escritores cearenses da época, liderados por Antonio Sales, de "efetuar-se o quanto antes um estudo a respeito do Professor Sobreira". Carolina Sobreira, após concluir sua formação no Colégio Imaculada Conceição de Fortaleza, voltou para o Juazeiro e criou uma escolinha para alfabetizar seus sobrinhos e primos. Além de suas atividades pedagógicas, a convite do Padre Cícero, ela assumiu a Secretaria da Capela de Nossa Senhora das Dores. Dividia, portanto, o seu tempo com as múltiplas atividades da Capela de Nossa Senhora das Dores naquele momento de grande efervescência religiosa com a sua escolinha no idílico sítio Timbaúba, quando, em 1893, contraiu núpcias com seu primo Pedro Lobo de Menezes. No dia 24 de janeiro de 1894, nascia seu primeiro filho que na pia batismal recebeu o nome de Azarias e já no dia 28 de janeiro foi batizado sendo celebrante o Vigário do Crato, Monsenhor Antonio Alexandrino, e seus padrinhos o Padre Cícero e Nossa Senhora das Dores. Recebeu o sacramento da Crisma, em 16 de fevereiro de 1894, sendo o seu padrinho de Crisma monsenhor Francisco Rodrigues Monteiro. Estavam ao redor daquela frágil criança todos os principais personagens do movimento religioso de Juazeiro.Carolina Sobreira ficou viúva em 1905.
Foto:  Padre Azarias Sobreira

 

Dedicou-se com afinco às suas atividades com Secretária da Capela Nossa Senhora das Dores e à criação e à educação de suas duas crianças órfãs: Azarias e Micol. Desde tenra idade Azarias acompanhava sua mãe nas diversas atividades da Capela e folgava ajudando o sacristão a tocar os sinos da capela e em outros singelos e pequenos afazeres. A vocação religiosa nasceu-lhe naturalmente e ainda bem garoto, depois de ajudar na celebração da missa pediu ao monsenhor Quintino que o ajudasse a ir para o seminário porque era seu desejo consagrar sua vida ao serviço da Igreja.Em 1907 Azarias e mais uns quatro garotos de Juazeiro seguem para o convento Francisco de Canindé porque naquela época encontrava-se fechado o Seminário José do Crato. Em 1908, vivendo angustiante crise financeira os frades franciscanos fecharam o Colégio São Francisco da Basílica de Canindé. Frei Marcelino de Milão intercedeu junto ao bispo do Ceará, dom Joaquim José Vieira, para que recebesse no Seminário da Prainha, em Fortaleza, duas grandes e sólidas vocações sacerdotais: José Alves de Lima e Azarias Sobreira. Em 1916, Dom Quintino, depois de ser sagrado bispo, em Salvador, passou por Fortaleza e solicitou a dom Manoel Lopes de Souza, a cessão do jovem diácono, Azarias Sobreira, para ajudá-lo na organização da nova diocese e na abertura do seminário do Crato. No dia 22 de abril de 1917, realizou-se a cerimônia de ordenação sacerdotal do jovem diácono Azarias Sobreira. A cerimônia revestiu-se de todas as solenidades dos rituais católicos e de ampla repercussão para toda a sociedade e o do Cariri. A Sé do Crato estava engalanada e repleta de autoridades e parentes do novel sacerdote. Em junho de 1917, vindo a Juazeiro para visitar sua mãe e sua irmã, o padre Azarias foi até a casa do seu padrinho de batismo, o Padre Cícero. Ambos estavam radiantes de contentamento. Durante a conversa, numa pausa entre saudosos diálogos, o Padre Cícero fez ao jovem levita um suplicante pedido: que ele aceitasse ser seu confessor. Surpreso diante do convite, padre Azarias caiu de joelho e em pranto, aos pés do seu padrinho. O Padre Cícero levantou-o num amplo amplexo. Fundem-se, naquele maravilhoso momento, duas grandes almas que irão marcar a história eclesiástica do Brasil. .

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