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JUAZEIRO DO NORTE - CE
JUANORTE
O Think Tank da Metrópole do Cariri

Capa  06/08/2017  Edição 431

SEM DNA NÃO É JUSTO - 33

 

Foto: Estátua do Padre Cícero-Juazero

Na caminhada cíclica da história, pois nada é novo embaixo do Sol temos demonstrado semanalmente aqui no JUANORTE, ou desde o mês de Julho de 2014, por ocasião das reuniões preparatórias da Associação dos Amigos e Devotos do Padre Cícero/AADPAC e a malograda tentativa dum movimento de Rua no Juazeiro do Norte/CE visando à reabilitação desse sacerdote, a intransigência, a arrogância e a parcialidade da Igreja Católica Apostólica Romana, ante o problema. Na oportunidade e durante quinze meses de trabalho nas Ruas da Cidade realizamos dezesseis procissões (a maioria contando com 15 a 20 pessoas), três carreatas (com apenas 4 veículos) e oito blitz, cada uma com quase duas horas de duração, sempre na lateral do Cariri Garden Shopping, no cruzamento das Avenidas Padre Cícero com Marechal Castelo Branco. Definitivamente a população do Juazeiro, atualmente estimada em 274 mil habitantes, na sua grande maioria afirmando ser devedora de uma graça alcançada pela intercessão do Padim deixou bem claro não se interessar por esse bom combate, e que o problema fica exclusivamente por conta da Igreja, quando ela quiser e se um dia quiser ou não quiser nunca, a coisa está de bom tamanho. Pois bem, deixando essa indiferença perversa e absurda de lado, até porque a gente chegou bem perto e foi notado pela Igreja, que se sentiu incomodada, na medida em que, quinhentas ou mil pessoas na Rua durante esse período, com toda certeza teria avançado mais, e quem sabe alcançado o objetivo da demanda, pois o País inteiro e até o exterior ficaria sabendo que essa Entidade (a Igreja) explora comercialmente o nome e o carisma do Padre Cícero, e, a ela só interessa o óbolo de suas romarias, os R$ 100 milhões depositados nos cofres das igrejas da Igreja, que oxigena a mitra diocesana e engorda as burras do Vaticano, uma das maiores fortunas do planeta. Deixando de lado esses comentários, que intencionalmente são repetidos com calculada freqüência, vamos voltar à saga do "santo" sudário inicialmente abordada no comentário da semana passada, confira. Em 1311, no papado de Clemente V, a Ordem dos Cavaleiros Templários foi extinta, através de intrigas urdidas pelo rei francês, Felipe IV, alcunhado "o Belo", que devia uma imensa soma a essa Entidade (os Templários) e (não tencionava pagar e apelou para o calote) com apoio irrestrito desse papa. Por meio de uma série de boatos transformados em calúnias, os membros da Instituição (dos Cavaleiros Templários) foram acusados de ser hereges, adorando um bode (Baphomet), bem como certa cabeça descrita por Estevan de Troyes, um dos integrantes presos, como pertencente a um homem de barba grisalha. Dando sequência a pantomima, a sede da Ordem foi invadida por tropas do rei francês leais ao papa, inúmeros componentes da Entidade torturados, enquanto nada menos que 54 cavaleiros

condenados à morte. Em 19 de março de 1314, os grão-mestres Jacques de Molay e Geoffrey de Charnay foram queimados vivos, próximo a Igreja de Notre Dame, em Paris. Nessa oportunidade torna-se necessário lembrar a selvageria imposta a Jacques de Molay que submetido a sete anos de prisão em celas insalubres e péssimas condições, além de vitimado por torturas pontuais foi queimado em "fogo brando" (isso, além de incrível é torpe, maquiavélico e degradante para a raça humana), no dia 18/03/1314, em Paris. Conforme este Autor adiantou, tudo isso foi o epílogo grotesco de uma intriga promovida pelo Rei Francês Felipe, o Belo associado ao papa Clemente V, e, tendo por pano de fundo a "santa" Inquisição! Na oportunidade torna-se pertinente informar que Sua Santidade vivia amasiado com a sensual e esfuziante Madame Brunissend de Talleyrand-Perigord, que o acompanhava em suas viagens a serviço da Igreja Católica Apostólica Romana, e que o mesmo "não teve receio de escandalizar a Europa pela sua munificência com relação à bela Condessa de Talleyrand, sua amante".Retornando ao relato ou retomando o fio da meada, em 1353, um descendente de Geoffrey de Charnay declarou-se proprietário do lençol, embora nunca explicasse de que maneira o mesmo chegou a suas mãos. No século seguinte, ou mais precisamente em 1453, o pano foi adquirido pelo Duque Luís de Savóia, permanecendo com essa família até o ano de 1983, conforme o leitor foi cientificado, no início desse ensaio. De conformidade com os predicados a si conferidos, o sudário sempre foi um objeto controverso, idolatrado pelo mundo cristão e totalmente ignorado por um grande contingente de cientistas, intelectuais, ou simplesmente, não seguidores da doutrina. Após a introdução da técnica de datação pelo método do carbono-14, desenvolvida pelo Dr. Willard Libby, em 1946, a comunidade científica, bem como um forte segmento do cristianismo ansiavam que o lençol fosse analisado através desse processo. No entanto, o teste em apreço vinha sendo postergado desde muito, por inúmeros motivos, dentre eles, embora numa escala menor, a incineração de mais ou menos, um metro quadrado do tecido. A fim de facilitar o entendimento do leitor, forneceremos alguns detalhes sobre a viabilidade e execução dessa análise. Inicialmente, o teste de datação através do carbono-14 é um tipo de exame que consome boa parte do material analisado. No que diz respeito ao sudário, o mesmo só seria confiável se utilizasse um pedaço do lençol, de no mínimo, 30 centímetros quadrados e mais dois, ou três pedaços do mesmo tamanho, que seriam usados na validação do teste. Por ocasião do procedimento técnico, essas amostras de tecido seriam incineradas e obviamente, o lençol teria seu tamanho reduzido numa extensão considerável. Por esse motivo os proprietários da peça, bem como a Igreja, jamais autorizariam o exame, alegando, como se nota a destruição de um tesouro histórico. Nesse ínterim, a datação pelo carbono-14 fez sucesso, ajudando a ciência a colocar no seu devido tempo, uma vasta gama de assuntos e objetos relacionados com as civilizações da antiguidade, diariamente desenterrados pelas pás de arqueólogos comprometidos com a história. Dessa forma, os resultados obtidos eram acatados pelo mundo científico, universitário e inúmeras lacunas na história atualizadas, ou supridas de maneira brilhante. Entre os cientistas comprometidos com o avanço progressista, descartando-se a margem de erro, comum no processo, a eficiência e confiabilidade da datação por esse elemento químico, era unanimidade no meio acadêmico, um inegável milagre da ciência. Aleluia irmão! Com o passar dos anos, a técnica de aceleração foi desenvolvida, realizando a datação em superfícies, ou amostras relativamente pequenas. No caso do sudário, a extensão consumida no famoso e decantado pano, seria de apenas, sete centímetros de comprimento, por um de largura. Uma pequena tira, ou nesga do tecido, relativamente insignificante, quando confrontada com a superfície total do lençol. A partir desse momento, não havia mais justificativas para demoras desnecessárias. Se o pano tinha mais de dois mil anos e era verdadeiro, por que não submetê-lo a uma análise científica? Por que não colocá-lo frente a frente com a ciência? E, isso finalmente foi feito. Procedida à coleta do material, processado o teste necessário verificou-se que o lençol, apesar de conter uma verdadeira obra prima em pintura, foi confeccionado no final da Idade Média, contando não mais que 700 anos. Tendo em vista a contundência dos resultados apresentados pela análise, o cardeal Anastácio Ballestrero, arcebispo de Turim, Itália, um sacerdote privilegiado com a verdade, com toda certeza, "anunciou que o sudário venerado desde o século XIV, foi tecido entre os anos de 1260 e 1390 depois de Cristo". Obviamente, esse sacerdote nada decidiu por si só; ele simplesmente foi o porta-voz da Igreja Católica Apostólica Romana, sobre um assunto onde a mesma tem autoridade soberana, ou pleno conhecimento de causa. Quando a Entidade adotou tal postura, tinha ciência total e antecipada, de que os dois bilhões de simpatizantes da doutrina, espalhados por todo planeta tomariam partido no assunto, transformando-se na maioria dos casos em especialistas em sudários miraculosos, advogados gratuitos da Entidade, quando não, seguidores ultrajados em sua fé. Nada foi feito de afogadilho, ou à toa, literalmente "ninguém deu murro em ponta de faca". Objetivando mais detalhes sobre o processo de datação pelo carbono-14, forneceremos alguns subsídios altamente necessários ao entendimento do assunto. Inicialmente torna-se imperativo deixar claro que o carbono-14 produzido nas altas camadas da atmosfera é o isótopo radioativo do Carbono. Essa sua característica é traduzida por uma carga do núcleo igual, mas o número de nêutrons diferentes; sobressaindo assim dos demais isótopos desse elemento químico. Continuando nesse diapasão, torna-se necessário afirmar que todos os seres vivos absorvem o carbono, todavia essa absorção cessa tão logo o homem, o animal, ou a planta morram. Pesquisas de laboratório realizadas com esse átomo forneceram peculiaridades por demais interessantes, ou instigantes. Em primeiro lugar foi determinado o tempo em que a quantidade original de carbono absorvido fica reduzida a metade por desintegração. Esse tempo que é chamado "meia vida", corresponde 5.760 anos, o que significa dizer que um grama de carbono-14, ao fim desse período estará reduzido a meio grama. Interrompida a absorção, por parte dos seres vivos, o isótopo do carbono-14 inicia a desintegração comentada acima, permitindo o cálculo da idade do objeto examinado, que é determinada através da quantidade do isótopo ainda presente na amostra. Acorda macho! Desperta fanático! AMÉM!

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