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JUAZEIRO DO NORTE - CE
JUANORTE
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Capa  25/06/2017  Edição 425

SEM DNA NÃO É JUSTO - 27

 

Foto: Estátua do Padre Cícero-Juazero

Continuando nesse diapasão fica cabalmente demonstrado que a Igreja se utiliza do expediente abjeto de 'dois pesos e duas medidas', no que concerne a reabilitação do Padre Cícero, em relação às benesses proporcionadas aos demais bem-aventurados, que atualmente estão sendo guindados a condição de beatos ou santos. Vale à pena refletir sobre esse assunto, que tem sido abordado de forma insistente nessa Coluna do JUANORTE, mormente ao longo dessas últimas semanas, pois somente a indignação maciça do povo é capaz de sensibilizar a Igreja completamente alheia aos anseios da massa e seu clamor por justiça. Na oportunidade este Autor volta a lembrar que o 'quinhão de Santo Popular' até agora destinado ao Padim, principalmente, em relação àqueles recentemente canonizados foi muito pouco, uma vez que o fundador do Juazeiro do Norte, data vênia tem muito mais bagagem que esses; pode acreditar, e, inúmeras pessoas também pensam assim. Enquanto isso deve ficar claro que ninguém é contra a santificação de quem quer que seja! O que os amigos, devotos e admiradores desse ilustre sacerdote abominam são injustiças e o desrespeito ao povo, e ao Padre Cícero, que recebe vivas efusivos da Igreja ("Viva o Padre Cícero - Viva"! - "Viva o Padre Cícero - Viva"! -"Viva o Padre Cícero - Viva"!), e, muita bajulação por ocasião das missas, em face do óbolo de R$ 100 milhões deixados por seus romeiros. Nota-se que, para a Igreja, ele não passa de sua "galinha de ovos de ouro predileta"! Se assim não o fosse, ela (a Igreja) já teria olhado para o Padim com honestidade conduzindo-o ao lugar que ele merece! Pois bem, na perseguição ensandecida pelos holofotes de uma mídia benevolente e na conjugação (em todos os tempos e modos, do indicativo ao gerúndio, do "nominativo ao ablativo") de um merchandising nunca dantes imaginado por nosotros, uma sociedade irremediavelmente anestesiada, totalmente apática, mais um processo de canonização de santos foi consumado pela Igreja, através de Sua Santidade o papa Francisco I, senão vejamos. O papa canonizou, no Sábado, dia 13 de Maio do corrente, na cidade de Fátima, em Portugal, os dois irmãos pastorinhos Jacinta e Francisco, que ao lado da prima Lúcia presenciaram as aparições da Virgem Maria, e que estava fazendo cem anos, justamente nesse dia. No início da cerimônia, o bispo de Leiria/Fátima, António Marto, pediu ao papa que inscrevesse Francisco e Jacinta no Livro dos Santos e depois fez uma breve apresentação da biografia das duas crianças. Em seguida, o papa Francisco, se expressando em latim pediu que esses dois irmãos e novos Servos de Deus fossem venerados pela imensa nação cristã. O dia de Sua Santidade, que desembarcou na Sexta-feira, 12/05, em Fátima, começou com uma reunião privada com o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, que o visitou na Casa de Nossa Senhora do Carmo, onde Francisco passou

a noite, como fizeram seus antecessores quando visitaram Fátima. Depois, o papa seguiu para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, e em seguida, fez uma oração no túmulo de Francisco e Jacinta, que morreram com nove e dez anos, respectivamente. Além disso, Sua Santidade celebrou uma missa assistida pelo menino brasileiro Lucas Baptista, de nove anos, que sofreu uma grave lesão cerebral ao cair por uma janela, em Março de 2013, quando tinha cinco anos, e que se curou "milagrosamente" graças aos pastorinhos. Esta foi a cura "milagrosa" escolhida para poder santificar os pastorinhos, enquanto o processo de beatificação da irmã Lúcia, que morreu em 2005, continua seguindo os trâmites "normais", no Vaticano. Os dois pastorinhos foram convertidos nos primeiros meninos santos da Igreja, por terem feito um milagre e não por serem considerados mártires. Enquanto isso o Padre Cícero Romão Batista do Juazeiro, no Ceará, no Brasil, mesmo com uma "enxurrada de milagres jorrando por todo Nordeste", mesmo tendo a Casa dos Milagres nessa Urbe, tal qual um imenso açude "sangrando", pela grande quantidade de "ex-votos" de prodígios verdadeiramente ocorridos, e mesmo a própria Cidade congestionada por centenas de romeiros vestidos com hábitos de santos católicos testemunhando que foram beneficiados em suas súplicas, em suas preces pela intercessão do Padim, jamais sensibilizou a Igreja, que afora o óbolo (R$ 100 milhões) de suas romarias, nunca fitou com olhos benevolentes esses fenômenos que se multiplicam em progressão geométrica. Todavia em Fátima, nem tudo foram flores, pois o padre Mário de Oliveira, um religioso e estudioso dessas aparições publicou recentemente o livro "Fátima: Nunca Mais", onde questiona todo processo, inclusive afirma que tudo não passou de um "teatro", que terminou vitimando pela tuberculose esses dois pastorinhos, que foram literalmente amedrontados com previsões catastróficas e não tiveram o direito de viver uma existência normal, que seria um direito de toda criança, mesmo aquelas menos favorecidas pela fortuna. O padre Mário, apesar das graves retaliações impostas pela Igreja gravou um vídeo deveras elucidativo e que deve ser analisado por todo aquele que pretende entender a religião, como também os que buscam a verdade (https://www.youtube.com/watch?v=nMBBAZE6PiQ). Sobre esses pretensos milagres, ou na época em que eles supostamente ocorreram, o cônego José Alves Correia da Silva, tio de Rosa Correia da Silva Bacelar, que atuava naquela região afirmou que eles não passavam de coisas de crianças. Todavia, escolhido o primeiro bispo de Leria, em 1920, e após conversar demoradamente e várias vezes com a pastorinha Lúcia, que se encontrava "recolhida" num convento, dom Correia (seria esse um sósia de dom Quintino?) convenceu-se de que tudo era a mais verdade. Aqui é onde reside o milagre! O "convencimento" desse sacerdote está contido no livro - Fátima: Da Visão dos Pastorinhos à Visão Cristã", da lavra do bispo dom Carlos Azevedo. Entretanto, justiça seja feita, as supostas maravilhas de Fátima foram contestadas, desde a época, num ambiente ainda convulsionado pela queda da monarquia no país luso. Nesses episódios torna-se interessante lembrar, que o povo português vivia ainda a instabilidade da rebelião de 1910, que apeara Manoel II do trono, proclamando a república e adotando leis anticlericais rígidas, que acabavam com as regalias e influência de religiosos no poder. No intervalo em apreço, inúmeras coisas fantasiosas ocorreram na terra de Fernando Pessoa, sendo imperativo lembrar-se, a saga da "Virgem das Urtigas". Com esse nome ficou conhecida uma aparição cômica de outra virgem ocorrida num campo, onde um tumulto fez os penitentes debandarem em correria, sobre touceiras urticantes, causando muitas queimaduras e comichão em pessoas incautas. A contestação dos prodígios ocorridos em Fátima não ficou apenas restrita a historiadores livres e jornalistas isentos de nacionalidade portuguesa, uma vez que no final da década dos anos cinqüenta, aqui em nosso País, o ex-padre brasileiro e um grande estudioso e teólogo da doutrina cristã, Doutor Aníbal Pereira dos Reis, também questionou com veemência esses supostos milagres, através do livro, ainda hoje presente na Internet - "Outro Conto do Vigário: A Senhora de Fátima". Segundo Aníbal Pereira, em sua obra Rosa Bacelar, a sobrinha do cônego Correia apresentou-se aos pastorinhos como a "virgem", nesse teatrinho, atualmente rotulado pelo padre Mário de Oliveira, e, naquela época considerado "coisas de crianças", pelo futuro bispo de Leiria. Isso é deveras estranho! Meus caros amigos na oportunidade torna-se imperativo lembrar, que, verdade ou não, os pastorinhos foram conduzidos aos altares cristãos, na medida em que o Padre Cícero, em função de faltas e punições "justas e justificadas", segundo o cardeal e Prefeito da Santa Congregação Gerhard Muller, atualmente se encontra numa espécie de Limbo totalmente distante e terminantemente proibido de figurar, pelo menos, numa lista de espera para reabilitação, pois suas faltas são imperdoáveis, mesmo pra Igreja que diz pregar amor e caridade, ou que não existe "pecado sem perdão"! A Igreja, com toda certeza vai esperar a morte de várias gerações, o desaparecimento de todos aqueles que tiveram algum contato, com a saga de perseguições e sofrimentos impostos ao Padim pela própria, a Igreja, e, num futuro distante, quando o turismo religioso suplantar o lado piedoso que tornou o Padim imenso, quem sabe, ela poderá fazer algo, por seu Santo Popular. Uma coisa é certa, durante esse tempo todo, o óbolo de suas romarias, os R$ 100 milhões continuarão a receber "vivas efusivos" da Igreja, pois, "dinheiro não é santo, mas, obra milagres"!! No encerramento desse meu comentário chamo a atenção dos amigos e devotos do Padre Cícero para esse detalhe, confira. O corporativismo, bem como a intolerância nesses procedimentos é palpável, senão indisfarçável, e, muitas vezes o processo de beatificação bate de frente com "acidentes de percursos", que muito bem poderiam ter sidos evitados não fosse o ingrediente afogadilho. Nesse sentido o papa João Paulo II beatificou em 1996 o sacerdote milanês Ildefonso Schuster, e, até ai tudo bem. Todavia, uma mensagem interceptada pelo serviço de inteligência britânica desnuda um capítulo sombrio da relação entre o Vaticano e o regime nazista. Essa coleção de documentos dos serviços de inteligência da Inglaterra e dos Estados Unidos da América compilados durante a Segunda Guerra Mundial sugere que Ildefonso Schuster, arcebispo de Milão entre 1929 e 1954, intermediou a transferência de dinheiro para um agente de Adolf Hitler. A suspeita aparece na mensagem que um espião nazista em Roma, Guido Zimmer remeteu a Berlim, e onde relata que o cardeal milanês conseguiu dar fachada legal ao envio de Trezentas Mil Liras para outro agente nazista. Essa informação consta também da obra do escritor cearense Josueh Mendes: "Dos porões sombrios do Vaticano". Os critérios são difusos, enquanto o Padre Cícero continua no Limbo. Acorda macho! Desperta fanático! AMÉM!!

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