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JUAZEIRO DO NORTE - CE
JUANORTE
O Think Tank da Metrópole do Cariri
Capa    25/06/2017  Edição 425
  

DEFESA DO PADRE CÍCERO

ACUSADOR DISFARÇADO

Buscando novos livros sobre o Juazeiro ou sobre o patriarca da cidade, chegou até minha mão um livro de autoria do Pe. Antônio Feitosa, sob o título: Falta um defensor para o Pe. Cícero, da Edições Loyola -SP.Ao começar a ler, estava esperando um trabalho sério, fruto de uma paciente pesquisa em fontes de insuspeita idoneidade, escrito com isenção de ânimo e espírito desarmado, comprometido tão somente com a causa da verdade, visando a oferecer subsídios à já vasta bibliografia sobre o Pe. Cícero. Vã esperança. A pretexto de prestar serviço à causa do taumaturgo, no sentido de suscitar-lhe autênticos defensores, como à primeira vista parece, o Pe. Feitosa reedita as mesmas e consabidas acusações, com que declarados inimigos do Juazeiro já haviam tentado conspurcar a reputação do Padim e denegrir-lhe a memória.O objetivo do seu livro é, pois, mais do que evidente e transparece desde a primeira página, embora tente o Pe. Feitosa convencer-nos do contrário quando diz: Não se trata de atacar o Padre Cícero ou qualquer outro. Efetivamente não se trata de atacar o patriarca do Juazeiro diretamente, pois um falso pudor o inibiu. Para lograr o seu escuso intento, ele usou o mesquinho expediente de se esconder por trás de terceiros. Entretanto, o seu propósito é claro e a ninguém engana. Que o leitor tire as próprias conclusões.No que diz respeito aos detratores do Pe. Cícero, os de ontem e os de hoje, os que investiram contra ele escancaradamente e os que o fizeram de forma escusa propalando levianas acusações de outros, respondemos-lhes com o irretorquível argumento dos fatos.Com a acusação de megalomania, o Pe. Feitosa abre o seu livro contra o patriarca do Juazeiro. Etimologicamente,


umegalomania significa mania de grandeza. No jargão psiquiátrico, é a manifestação de um delírio paranoico que consiste na convicção de grandeza e poderes inexistentes.Padre Cícero, megalômano? A nosso ver, a questão está incorretamente colocada. Dever-se-ia, antes, perguntar: Pe. Cícero paranoico? Pois a megalomania é apenas um dos componentes sintomatológicos da psicose paranoica .Poder-se-ia, talvez, dizer do taumaturgo o que o velho Simeão afirmou a respeito do Menino Jesus: Eis que Ele está destinado a ser um sinal de contradição (Lc 2, 34).Com efeito, o capelão do Juazeiro não escapou, até nesse detalhe, à mesma sorte do seu Mestre: foi objeto de juízos, os mais díspares e contraditórios da parte de coevos e pósteros.Eis o que diz a respeito o insuspeito historiador cratense, Irineu Pinheiro: Ninguém mais diversamente julgado em vida e depois da morte do que o Padre Cícero. Uns consideram-no digno de figurar no hagiológico cristão, e outros julgam-no heresiarca sinistro, grotesca caricatura de fanático e megalômano. Daí pode ver-se a que extremos atingem pontos de vista pré-concebidos.Não nos causa, pois, estranheza que observadores apressados, quase sempre eivados de preconceitos contra a pessoa do Pe. Cícero, tenham enxergado nele um desequilibrado mental por não compreenderem a sua complexa personalidade, nem as motivações íntimas que o levaram a adotar certos padrões de comportamento frente a determinados fatos e situações da sua vida.O livro do Pe. Feitosa, fruto de rasteiro sectarismo, constitui cabal negação do espírito evangélico, consubstanciado no mandamento novo de que nos fala o apóstolo São João.Como os apóstolos, os verdadeiros seguidores de Cristo hão de experimentar em todos os tempos e lugares os mesmos sofrimentos e provações por causa da sua fé. Assim

 

Foto: Dom Parde Cícero do Juazeiro

sendo, não nos deve surpreender que o Padre Cícero tenha sido vítima de injustiças, perseguições e calúnias em vida, e continue a sê-lo depois de morto. Antes, isto constitui sinal evidente de que a sua vida foi realmente balizada dentro dos princípios evangélicos e da fidelidade a Cristo.

PRIMEIRO MILAGRE

Uma prostituta, Francisca Belmira, filha de portugueses, vivia fazendo escândalos no Beco Novo, uma das duas ruas de Taboleiro Grande. Certa noite, em 1872,Padre Cícero escuta a voz da bela mulher cantarolando uma quadrinha que a tornara conhecida:"São quatro menina,São quatro fulo ...São quatro umbigada Bonita que dou ..." Nesse instante, o padre se aproxima. A mulher dá um pulo e canta:"Quando eu quero, queroQuando eu quero é já ..."Para a cantiga. Em volta, silêncio. As pessoas presentes contemplam a cena. Padre Cícero chega mais próximo, apoia a mão direita sobre os cabelos compridos da mulher e pergunta com voz autoritária: O que queres mulher?Francisca Belmira olha firme em seus olhos e, de repente, cai em prantos. Ajoelha-se aos pés do padre e diz: Quero me confessar ...Segura suavemente a batina do Padim e diz ainda que vai se regenerar de sua vida no pecado. Belmira, de fato, morreu já velhinha, com 85 anos, cercada do respeito da população. Era sempre lembrada como um exemplo de regeneração para as prostitutas que se dirigiam ao Juazeiro.

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LOCALIZAÇÃO