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JUAZEIRO DO NORTE - CE
JUANORTE
O Think Tank da Metrópole do Cariri
Capa    15/10/2017  Edição 440
  

LUZES E SOMBRAS

Em dezembro de 2000, o escritor português e Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, afirmou ao jornalista Geneton Moraes Neto (falecido), que o Brasil é um país de luzes e sombras, acentuando que poderia ser uma nação em que as luzes predominassem sobre as sombras, pois as primeiras são fortes aliadas a tal hegemonia, assim como as riquezas naturais e as características peculiares do nosso povo. Saramago é condescendente com a realidade brasileira, quando acentuou que as sombras ainda (na época) não predominam, mas deveriam ser menores e menos graves. Quanto às luzes, é possível relacionar sua afirmação como uma referência ao Iluminismo, que predominou há alguns séculos, na Europa, e deu origem a uma nova civilização.Como sombras, podemos situar os níveis da corrupção que instalaram no território nacional nas diversas esferas dos poderes, com ênfase para a atividade política, frequentemente conspurcada pela prática de atos ilícitos. Com efeito, a disseminação da corrupção favorece à definição de que houve, no Brasil, uma "democratização" da sua prática, refletindo-se, inclusive sobre pessoas de conduta inatacável, mas com atividades próximas aos responsáveis pelos desvios de conduta que persistem.A palavra corrupção - "corruptione", do latim -, língua mater e morta, de onde se originam, além do português, o espanhol, o francês, o italiano, o romeno etc., significa "corrompimento", decomposição, devassidão, suborno, perversão, depravação. No passado, sempre perdurou a conotação pejorativa que a qacompanha há muito tempo.É interessante observar seus reflexos até mesmo na linguagem, com as modificações pelas quais passou o latim, de tal forma que a língua portuguesa resultou de um "corrompimento" e que, no Brasil, essa deformação se acentuou com maior intensidade, "por ser mais dinâmica e viva" do que o português falado e escrito em Portugal.Pretender "obter vantagem em tudo" e o máximo possível de benefícios em favor de si próprio, era considerado pelo grande economista Adam Smith (1723-1790), autor de "As Causas da Riqueza das Nações", o

comportamento mais adequado a contribuir para o progresso social, referindo-se ao seu "espírito capitalista", como pré-condição comum do ser humano numa sociedade centrada nos valores da economia de mercado, o que, em nosso entendimento, não justifica sua prática tão intensa e comum nos dias atuais em que os fatos ilícitos permanecem se desdobrando frequentemente.

PADRE AZARIAS SOBREIRA

O evento comemorativo aos 100 anos de ordenação sacerdotal do Padre Azarias Sobreira foi aberto nesSa quarta-feira à noite, 04 de outubro, no Memorial Padre Cícero com a presença de historiadores, autoridades municipais e familiares do homenageado. O debate em torno da história do sacerdote é uma oportunidade para a reflexão sobre a atuação do Padre Azarias Sobreira no resgate e registro histórico dos fatos que transformaram Juazeiro do Norte num grande centro urbano conhecido em todo o Brasil e no exterior. A abertura oficial contou com a presença do Prefeito Municipal, Arnon Bezerra. Na ocasião, foi realizada uma mesa redonda com o tema Memórias do Padre Azarias Sobreira, mediada pela Dra. Angela Maria DantaSobreira Tavares, sobrinha do Padre. Foi realizada também doação para o Memorial Padre Cícero de 300 itens, que incluem cartas, fotografias e jornais sobre o sacerdote, pela família do homenageado.O evento também contou com a presença do representante do jornal O Povo, Sérgio Falcão, que doou ao Memorial Padre Cícero 70 artigos publicados no veículo de comunicação, de autoria do Padre Azarias Sobreira, em uma coluna dedicada aos seus artigos, durante alguns anos. Esse material, segundo a presidente da Fundação Memorial Padre Cícero, o Cristina Holanda, é de grande relevância e vem compor o acervo do memorial, num momento em que se inicia um período de comemoração pelos 30 anos do equipamento, que ocorrerá em julho do próximo ano. O historiador Geová Sobreira, um dos organizadores dos debates e curador da Exposição "O Padrinho do Meu Padim", que também foi aberta no evento, argumenta que o Padre Azarias renunciou a diversos benefícios que sua profissão poderia lhe trazer, ao assumir a defesa do

 

Foto: Padre Azarias e Padre Cíceero

Padre Cícero Romeiro através de seus relatos publicados em livros e em jornais sobre os acontecimentos de Juazeiro. "Quando a estrutura eclesiástica local, a partir de 1930, proíbe-o de escrever sobre o Padre Cícero, ele recebe um convite do bispo de Joinville para ir morar naquela cidade, mas Azarias responde que prefere ficar e lutar em Juazeiro do Norte", comenta Geová Sobreira. Ele diz ainda que devido a esse posicionamento, ele é chamado de "Padrinho do Padim", por defender sua causa veementemente, mesmo diante de tantas represálias. O Secretário de Cultura do Juazeiro, Alemberg Quindins, acredita que o evento cumpre um papel importante de educação patrimonial com os cidadãos juazeirenses, com escolas e instituições sociais para que eles venham ao Memorial para ver essa exposição e ouvir os debates sobre o trabalho que o Padre Azarias fez junto à Memória do Padre Cícero.O prefeito Arnon Bezerra, lembrou das atitudes visionárias de Padre Cícero que transformaram a cidade de Juazeiro do Norte no que ela é hoje e como o trabalho do Padre Azarias Sobreira foi importante para deixar registrado na história do Município, as ações positivas do passado que ainda hoje servem de exemplo. "Nós precisamos contar a história do Juazeiro, resgatar nossas imagens e mostrar para a nossa juventude. A gente só gosta daquilo que a gente conhece", comenta o Prefeito.. A exposição ficará em cartaz até o final da romaria de Nossa Senhora das Candeias, em fevereiro de 2018. .

 

 

 

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